quarta-feira, 9 de novembro de 2011

REVISTA ÉPOCA

Estudo liga excesso de células cerebrais a autismo
Crianças com o transtorno têm 67% a mais de neurônios em área encarregada da comunicação, dizem cientistas americanos
Um grupo de cientistas americanos anunciou hoje ter encontrado indícios da causa do autismo, o transtorno de desenvolvimento que atinge principalmente meninos e afeta a habilidade de relacionamento e comunicação. A equipe, liderada pelo neurocientista Eric Courchesne, divulgou um artigo na publicação científica Journal of The American Medical Society (Jama) afirmando que o excesso de células em uma região do cérebro parece guardar relação com a existência do transtorno em crianças.
Courchesne comparou o cérebro de sete meninos autistas já mortos com o de seis garotos sem o transtorno. Em uma área chamada córtex pré-frontal, o número de células nas crianças com autismo era 67% maior. Essa região é justamente a encarregada da comunicação, linguagem e outras habilidades cognitivas prejudicadas pelo transtorno.
Como o tipo de célula presente no córtex pré-frontal dos meninos com autismo só é desenvolvida durante a gestação, os pesquisadores acreditam que as causas do transtorno estão relacionadas a alguma desordem pré-natal. Essas células normalmente se proliferam entre 10 e 20 semanas de gestação, mas no terceiro trimestre de gravidez, o organismo absorve uma parte delas. Alguma falha nesse processo pode ter relação com o desenvolvimento do autismo.
Os pesquisadores já sabiam que crianças com autismo tinham a circunferência da cabeça maior, mas não tinham certeza do motivo. A pesquisa foi a primeira a testar a hipótese de que o excesso de células era a causa.
O estudo é importante porque até hoje a origem do autismo permanece incompreendida por médicos e cientistas. Há indícios de que o transtorno tenha causas genéticas. Na década de 1990, um estudo associando a presença de mercúrio em vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola ao desenvolvimento de autismo criou polêmica. Pesquisas posteriores demonstraram que os dados do estudo não eram verdadeiros e desfizeram o equívoco. A descoberta da equipe de Courchesne esta semana reforça a ideia de que é pouco provável que fatores ambientais estejam por trás das causas do autismo.